TAMOUSSI


Post atrelado ao FASO DAN FANI

Enquanto os teares da COFATEX alcalçam em média 1 metro de largura, o tear chamado de tradicional não passa de 12 cm, fazendo com que a capacidade de produção seja bem menor e mais lenta, e consequentemente os valores mais altos. Além disso os homens parecem ter menos o hábito de se organizar em associações (como as mulheres) em Bobo Dioualasso, fazendo com que seu trabalho independente conte com menos oportunidades de incentivos e sejam menos organizados para contatos e negócios com empreendedores fora da região, assim, eles produzem faixa a faixa, tecidos por encomenda dos comerciantes do mercado e clientes locais.

Entre os tecidos encontrados no mercado de Bobo Dioulasso chama atenção um repleto de bordados coloridos. Pergunto ao comerciante; que não revela; o contato de quem o fez. Não é fácil encontrar quem está criando estas produções, não existem informações na internet, nem placas em frente das casas ou associações, é preciso procurar, perguntar, de boca à boca até encontrar alguém que conhece um amigo, que tem um tio que tem um irmão (isto claro, para quem vem de fora)… e assim vou de casa em casa percorrendo os bairros da cidade, muitas vezes divididos por comunidades que compartilham uma origem cultural, encontrando em cada quintal, trabalhando de forma autônoma, um agente da resistência. Um tece apenas tiras de algodão puro, outro cria faso dan fani com motivos de animais em preto e branco, um senhor tinge o algodão com argila e raízes, até que com a ajuda de um guia local, encontro Biehum, o artista que eu estava procurando.

Em língua bouamou, outro idioma falado na região, Tamoussi significa bem feito; esse é o nome do tecido que Biehum Biebo tece em seu tear manual no quintal de terra de sua casa. Biehum aprendeu a criar tecidos no tear com seu pai, também tecelão, sua família vive em sua vila natal, Boku. No total são 10 pessoas em sua família produzindo os Tamoussi, depois que Biehum tece sua mulher agrupa as faixas de tecido de algodão costurando à mão para criar a peça composta de 1 pano grande e um foulard. Cada conjunto leva 1 dia e meio para ser feito, o que expica seu valor pouco acessível para a população, fazendo dele um tecido para ser usado em ocasiões e eventos sociais especiais, ou como explica Biehum, por políticos que tem poder econômico suficiente para tal aquisição. Depois de tecer Biehum borda à mão com linhas coloridas formas abstratas, animais e objetos do cotidiano que decoram os Tamoussi. Bamba fani, é o tecido que traz a imagem do jacaré, bamba, significa jacaré e fani, vestimenta. Varossi, ou, « a colheita é boa » tem a imagem de uma enxada, niesa, o pássaro também é recorrente. É na realidade do cotidiano de sua "aldeia" e nos valores da comunidade que Biehum encontra inspiração para criar peças ricas em cores, formas e detalhes.

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